Há dias que não são dias. Em que nos limitamos a ser aquilo que querem que sejamos. Damos muito de nós. Fazemos jantar. Abraçamos quando chegam a casa. Preparamos pequenos almoços para as pessoas como se elas também fossem parte de nós( e vão sendo, pois claro). Trabalhamos e damos o melhor de nós. Não trabalhamos e ajudamos quem precisa com ensaios. Dobramos roupa que não é nossa. Passamos a ferro e fazemos marcações para consultas, porque há pessoas a quem queremos para lá de bem. Levamos o pequeno almoço à cama, porque há quem esteja cansado. Percebemos o intenso cansaço e tentamos nem nos mover para não o acordarmos.
Fazemos 2 viagens de 9 horas cada em menos de 48 horas. Enterramos os pés na neve e maldizemos a falta de sol. Agradecemos, ainda assim, a neve e o cenário tão bonito. Agradecemos que os amigos de sempre tenham feito figas por nós. Retribuo as mensagens no facebook e comunico como as coisas estão a sair. Dou beijinhos e faço de tudo para evitar mal entendidos. Actuo como sou. Não gosto de ver a loiça por lavar. Lavo e limpo a bancada para que a casa pareça habitável. Mando mensagem fofinha a dizer que gostava que o tempo passasse mais depressa quando estou em casa sozinha. Mas há dias, como o de hoje, que não são dias. E por todo o bem que façamos, por muito que nos esforcemos em dar o melhor de nós, sabemos que não é, nem nunca será, reconhecido. Por alguns. E eram esses que importavam.











