Silenciosos

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Coisas que gosto


E o quanto adoro cafe!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Saudades e o choro em aeroportos

Estou no autocarro a caminho de casa dos meus pais. Até aqui apanhei um taxi, um metro, um comboio, um avião, outro taxi e agora este autocarro. Numa das paragens vejo um filho ser recebido com gritos pela família, o pai a esfregar-lhe a barriga, o irmão a gargalhar e a mãe com os braços muito abertos. Sei imediatamente que ele vem de longe, como eu, de uma distância que não se pode atravessar sempre que se quer, uma distância que nos impede de pertencer à rotina.

Lembro a minha primeira grande despedida, há quase 4 anos. No aeroporto, entre família e amigos, aguentei com um nó na garganta as lágrimas alheias e percebi que a felicidade está directamente ligada ao amor destas pessoas que a vida fez o favor de colocar ao meu lado, pessoas que me amam e ao mesmo tempo compreendem que tenho de ir.

Desde então já vivi muitos reencontros e muitas despedidas, já chorei em aeroportos ao deixar quem não queria ver partir, já fui só abraços e alegria, e já vivi a solidão de chegar a sítios onde ninguém me espera. Enquanto eu transito, estas pessoas aguardam na repetição dos dias que a minha chegada os torne um bocadinho mais cheios.

A caminho, penso no conforto estrutural e inabalável do quotidiano, que a minha ausência não faz colapsar. Um sítio-amor a que posso voltar sempre, e onde sinto que nunca fui embora. Estou constantemente em dívida, de arma em riste contra a ausência, e ainda assim falho, porque não consigo melhor.

Chego pelo mesmo caminho de sempre, de que conheço todas as curvas e cruzamentos. Adivinho o sorriso e o abraço apertado, abraço por todos os abraços que ficaram por dar hoje, esta semana, este mês. Antecipo o cheiro a jantar, o ruído da televisão na sala, os desenhos da toalha na mesa. Sei de cor como será a minha chegada, de tantas vezes que a vivi. Sei-a tão bem que me parece sempre a mesma, uma eterna chegada a uns braços abertos.

A saudade, que só se tem em ausência, é ainda assim um saco que nunca se esvazia, mesmo quando estamos juntos todos os dias, porque são dias contados. Nunca poderei devolver a quem amo os dias que lhes retirei. Posso só tentar que os que partilhamos sejam grandes. Posso só ser mais amor, tentar ser menos falha, e pedir com a humildade da minha pequenez que a vida me permita dar-lhes muito mais.


este  texto, deia ter sido escrito por mim. Nao foi, mas esta aqui tudo o que sinto em cada partida. Ate breve, Portugal!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Fritatta de Bróculos e Tomate provinciano

Pensei, desta vez que não ia conseguir entrar nesta aventura de cozinha, porque [ainda] estou de férias por Portugal. E, como diz o velho ditado, férias são férias. No entanto, vi o copo meio cheio e apercebi-me que cá em Portugal, além de não gastar dinheiro nos ingredientes  [o paizinho vai às compras], tenho muito mais opções de escolha, de que geralmente me queixo no Reino Unido. A juntar a isso, a maioria dos legumes, vem da quinta de Trás-os Montes, região dos meus avós e onde eu cresci, por isso cozinhar algo que " veio de lá" é cozinhar e pôr a banho-maria muitas memórias. Memórias boas, que me transportam às mãos cheias de rugas da minha Laurinha e me fazem sentir de novo aquela criança que chega a casa e se senta à lareira, porque é dos potes de barro que sai a sopa quentinha. Sem mais demoras, e carregada de boas lembranças, a minha frittata de bróculos e tomate (vindos lá da aldeia, aquela dos meus avós) diretamente para o grupo Dia Um... na cozinha, cheio de cozinheiras e chefs fantásticos. 







Receita:
Ingredientes:
200 g de brócolos
6 ovos
3 colheres de sopa de cebolinho picado
1 colher de sopa de óleo vegetal
15 g de manteiga sem sal
200gr de tomate
25 g de queijo parmesão ralado
Modo de Preparação:
- Numa caçarola com água a ferver e um pouco de sal, coza os brócolos durante 4 minutos, ou até estarem quase macios. Escorra-os e reserve.
- Bata os ovos, junte o cebolinho( ou se preferir cebola) e tempere com pimenta-preta de moinho. Numa frigideira grande que possa ir ao grelhador, aqueça o óleo e a manteiga e deite a mistura do ovo. Espalhe os brócolos ,o cebolinho e o tomate,  mexendo para distribuir de modo uniforme. Eu usei os tomates cortados em rodelas, ficando no fundo da frigideira, e a outra metade, para por por no final antes de ir ao forno.
- Com a espátula, vá empurrando os bordos da frittata para o ovo ir passando. Deixe cozer mais 3 a 4 minutos, ou até a base estar dourada e a parte de cima quase passada.
- Entretanto, aqueça o grelhador do forno no máximo. Espalhe o parmesão sobre a frittata  e tomates cortados em rodelas e leve-a ao grelhador do forno durante 2 a 3 minutos, ou até a parte de cima estar dourada. Sirva cortada em quartos.

domingo, 1 de setembro de 2013

Um dia na cozinha

A Maria Papitas, por quem tenho um grande carinho por razões pessoais, e que tem este blog fantástico, desafiou-me para entrar no Grupo Um dia na Cozinha. Ora, se por um lado gosto desafios, por outro gosto de cozinhar e acho que o conceito deste grupo é excelente, não só pela partilha de receitas, mas pelas dicas de pessoas que andam nisto da cozinha há muitos anos.

O tema deste mês, era Gallete de fruta, para despedir o Verão. Eu confesso que eu fiz uma primeira vez, só para ver como a coisa corria- já que sobremesas não são, de todo, o meu forte. Mas moço lá de casa: adorou e até deu outras dicas.

E aqui vos deixo o resultado:

 Gallete de pêssego e manga:


Galette de pêssego e manga
Massa
  • 1 chávena (120g) de farinha de trigo integral
  • 1 colher de chá de açúcar
  • ¼ colher de chá de sal
  • 6 colheres de sopa  de gordura vegetal 
  • 4 colheres de sopa de água gelada

Recheio
  • 2-3 pêssegos pelados e cortados em fatias e metade de uma manga
  • 2 colheres de sopa de açúcar areado
  • 1 colher de chá de amido de milho (se os pêssegos forem muito maduros, o amido previne que se liberte muito líquido da tarte). 
  • ½ colher de chá de extrato de baunilha
  • Uma pitada de canela


Para fazer a crosta da galette, com um garfo misture a farinha com o açúcar, o sal e a margarina cortada em cubos (eu usei manteiga Lurpark). Adicione 4 colheres de sopa de água gelada. A massa deve ficar bem unida, com uma boa consistência. Se não, adicione mais 1 ou 2 colheres de sopa de água. Ou se ficar muito húmida, adicione um pouco de farinha.
Coloque a massa no papel vegetal e forme um círculo de aproximadamente 30cm. Guarde a massa no frigorífico durante 10 minutos.
Enquanto a massa descansa, misture os ingredientes do recheio numa taça à parte.
Retire a massa do frigorífico, e coloque o recheio dos pêssegos no centro, deixando cerca de 2 polegadas livres na periferia do círculo. Dobre as bordas da tarte, por cima do recheio, e se quiser, pode decorar as bordas com açúcar areado.
Leve ao forno a uma temperatura de 190ºC durante 45-50 minutos. Retire do forno assim que a crosta ficar dourada e crocante. Pode servir com gelado.



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Sisu & saudades& hygge

precisamos de sisu e de hygge

Diz-se que saudade é uma das “poucas” palavras do mundo para as quais não existe tradução. É um termo muito nosso que os estrangeiros têm alguma “dificuldade” em compreender mas por que se apaixonam assim que descobrem o seu verdadeiro significado e conceito. Julgo, por tudo o que envolve esta palavra, que deveria fazer parte do vocabulário de todas as pessoas. Considero até que triste quem nunca sentiu saudades. E tudo o que isso provoca em nós.

E se acho que os estrangeiros deveriam ficar a par do verdadeiro significado de saudade, entendo igualmente que nós também poderíamos adoptar alguns termos estrangeiros sem tradução. Por exemplo, à Finlândia podemos ir buscar o sisu. Palavra que significa força de vontade, determinação, perseverança e corresponde ao agir de forma racional perante as adversidades que surgem nas nossas vidas.

Da Dinamarca podemos importar o hygge, que representa um estilo de vida. Significa alegria de viver e ainda o calor da companhia dos amigos com quem se partilham as coisas boas da vida. Hygge simboliza também a ausência de preocupações e aborrecimentos e a abundância das coisas boas, agradáveis e simples que a vida tem para proporcionar.

Nos dias que correm é fácil olhar para o fundo do poço. Quem nunca teve um dia em que duvida de tudo e deixa de acreditar por completo no futuro? É bastante fácil acreditar que dali não se passa. E, sem que se perceba, damos por nós num estando constante de tristeza. Do qual é bastante complicado fugir. É por isso que é preciso que as pessoas não se esqueçam do sisu e do hygge. Porque eles existem. E dar-lhes vida depende apenas de cada um de nós. 

este texto foi retirado na integra do blog: homem sem blog, e 'e das melhores coisas que li ao longo do dia de hoje. Tinha que partilhar! 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Desafio & entrevista

A F.desafiou-me com 20 perguntas e eu respondi. Releio o que escrevi e penso como é curioso ter uma entrevista quase a mim mesma, aqui, no blog. 
  1. Um lugar em Portugal - Lisboa, sem qualquer sombra de dúvida.
  2. Um lugar no Mundo - qualquer um desde que esteja com as pessoas certas.
  3. Prato preferido - talvez bacalhau com natas, ou polvo à lagareiro, hum.. difícil escolha!
  4. O melhor restaurante - tantos! Adoro conhecer novos restaurantes, por todo o mundo. 
  5. Livro preferido - não consigo dizer. Lembro-me que gostei muito do "Rio das Flores", de Miguel Sousa Tavares, como amo os do Saramago ou do Ken Follet. Não há nenhum assim: wow!
  6. Não sais de casa sem... o telemóvel [cliché, mas é bem verdade]
  7. A música da tua vida - ui, resposta impossível! Há músicas para vários momentos. Umas marcam pessoas, momentos com essas pessoas e outras são só para nós.
  8. Um sabor da infância - abóbora em doce, que a minha avó fazia com amêndoa e eu barrava nas torradas aos sábados à tarde para o lanche. 
  9. O melhor pôr do sol - No pico da ilha do Pico, nos Açores. Estar no cume de uma montanha, ver outras ilhas, é qualquer coisa : wow!
  10. O doce de eleição - baba de camelo.
  11. Valores - honestidade e interesse pelo mundo, tolerância com a diferença, perseverança.
  12. A base de um casamento feliz -Não sou casada, mas acho que as coisas funcionam de igual maneira:  detalhes: aperceber-se  das necessidades do outro sem que a pessoa nos diga, ser tolerante e capaz de ceder. No fundo é termos a noção das diferenças do nosso companheiro e saber equilibrá-las com as nossas [ainda estou a praticar, como todas as pessoas que vivem há 50 anos casadas.]
  13. Um vício - 
  14. Salto alto ou raso? raso, 99% do tempo: coisas práticas. 
  15. Não te deitas antes... de ver as horas no telemóvel.
  16. O dia começa melhor quando... não tenho pressa.
  17. As fotografias são como... momentos gravados para sempre.
  18. filhos numa palavra - não tenho filhos, mas tenho 3 sobrinhos e a palavra para eles é amor.
  19. O teu blog numa palavra - desabafo.
  20. Amizade é: querer o melhor do mundo para essa pessoa.